Se há erros, não culpem os professores

O jornalista Paulo Capelli noticiou na coluna Informe do jornal O DIA um fato que me chamou a atenção de maneira especial. O Ministério Público investiga a carência de professores na rede estadual de ensino e busca descobrir se o fato está ligado à cessão dos docentes, para outros órgãos do Governo do Estado.

A notícia passa a percepção de uma atitude incorreta por parte dos professores e abre a oportunidade para uma questão altamente relevante: que importância ou prioridade se dá à função?

O magistério deveria ser prestigiado pelos governos com salários e estruturas de trabalho, que estimulassem os professores à atuação nas salas de aula. Mas, infelizmente, não é o que acontece Brasil afora. Os salários são indignos e lamentáveis as estruturas.

Escola pelo Brasil

Os governos não prestam a atenção devida ao magistério, por isso, não percebem que a vida de um professor em sala de aula sob as melhores condições já é um desafio, em razão da situação social de insegurança e de desequilíbrio familiar. Por isso, os professores passam os dias a enxugar gelo, numa rotina que frustra-os pela incapacidade de mudar a realidade e eles, frustrados, buscam alternativas.

Sugiro ao Ministério Público, que investigue o modo como o governo do estado tem lidado com o magistério, para antes de descobrir se os professores fogem das salas de aula, saber que razões desestimulam os docentes a ponto deles abrirem mão do prazer de ensinar. Que saibam os agentes do Ministério Público uma verdade: sob as condições atuais só as pessoas verdadeiramente vocacionadas buscam o magistério como profissão. E, se não o exercem em plenitude, é motivos outros que não a falta da vocação.

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