Rivânia, um grito, um exemplo

Diz a história do Brasil, que o grito pela independência do país aconteceu às margens do Ipiranga em São Paulo.

Há duas semanas – tempo que na velocidade da informação parece eternidade – um novo grito pela liberdade se fez ouvir, desta vez, das margens de um pequeno rio, na cidade de São José da Coroa Grande, Estado de Pernambuco, terra do Ministro da Educação, Mendonça Filho.

Da vez primeira, a voz que se ouviu foi de um imperador. Estávamos no ano de 1822. Há duas semanas, o grito veio de uma menina com apenas 8 anos de idade, a Rivânia, sobrenome Silva.

A imagem dela numa jangada, a fugir da enchente que assolou a pequena cidade pernambucana, foi espalhada pelo mundo. Convocada pela avó para deixar a casa onde morava, tomada pelas águas, a pequena Rivânia catou os livros e o seu material de escola, agarrou-se a eles, somente a eles, e salvou-se.

Nós todos, que representamos o povo brasileiro no Congresso Nacional e até mesmo o ministro conterrâneo da Rivânia Silva, deveríamos fazer ecoar nas nossas decisões o gesto silencioso dela. Um gesto pela independência, pela liberdade, direitos inalienáveis, que só a Educação pode, verdadeiramente, oferecer às meninas e aos meninos que o Brasil desumano consome todos os dias.

Rivânia quer ser médica. Ela conseguirá? Ou será que no caminho dela, enchentes de outra natureza terminarão por cansá-la ou, pior, por abatê-la?

Quantas meninas e quantos meninos iguais a Rivânia, meninos e meninas que têm paixão pelos estudos e pela escola, existem em silêncio espalhados pelo Brasil, a sobreviver à própria sorte? Quantos meninos e meninas Brasil à dentro tiveram levados os seus sonhos e paixões por enchentes de dificuldades?

Estou na política há décadas. Na Câmara e Brasil afora, tenho ouvido e feito centenas de discursos e aprovado medidas, que priorizam a educação como política pública essencial para a liberdade.

No entanto, discursos e medidas, as enchentes levaram. Enchentes de crises políticas, de debates ideológicos, de brigas intestinas, que Rivânia e outras meninas e meninos jamais entenderão, graças da Deus!

Para elas e eles, o importante não é salvar os discursos, os debates, as brigas intestinas, a Presidência da República ou a pele de alguns que vivem os benefícios do poder. Fundamental para elas e eles é salvar a educação dessa avalanche de coisas, que muita gente dá importância, mas que são essenciais para a felicidade do povo.

Que bom seria se o grito às margens do pequeno rio pernambucano tivesse a força e o significado daquele outro feito às margens do Ipiranga!

Confesso que não sei exatamente como responder ao desafio, ao grito de independência da pequena Rivânia. Mas, sei – isso sei – que ele não poderá voltar vazio para ela. Eis aí uma das mais gratas obrigações de quem faz política no Brasil.

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