Quem não se dá ao respeito?

Hoje é Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. Todos os dias deveriam ser. Mas, é bom que se tenha pelo menos um dia entre os 365 de cada ano, separado para prestar atenção ao que acontece com as mulheres todos os dias. Por dia, 13 mulheres denunciam estupro – 67.692 no ano passado. Este ano ainda não se sabe, quantas foram as vítimas. E há os estupros não denunciados, pelo medo que têm as mulheres de sofrerem duplamente. Afinal, as delegacias dedicadas só às mulheres ainda são poucas e as que estão por aí, nem todas plenamente especializadas no atendimento. Há inquéritos que mofam nas gavetas e processos que vão e voltam das delegacias com pedidos de diligência que duram uma eternidade.

No início do ano, o Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública pesquisou as opiniões sobre os casos de estupro. Dos entrevistados, 64%, declararam que as polícias militares não estão preparadas para atender as mulheres. Nesse dado não há novidade. Em outro sim. Este estarrecedor: 37% dos entrevistados culparam as próprias vítimas, porque “elas não se dão ao respeito”. O dado mostra o quanto ainda há por fazer na sociedade brasileira no campo da educação e do esclarecimento. Uma sociedade que produz um número como esse não se dá ao respeito.

A violência contra a mulher não se dá só pelo estupro. Há as que apanham dos homens, as que são molestadas nas ruas, nos transportes, nos empregos, nas escolas. Por dia, 7 mulheres denunciam agressões. 58% delas são negras. Os dados são do Ligue 180.

Está aí um desafio diante da sociedade brasileira, que é maior do que o de vencer as dificuldades econômicas ou a corrupção: acabar com a violência contra a mulher.

 

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