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Novamente, o bom serviço dos porteiros

Matéria do Globo Repórter sobre longevidade salienta o trabalho essencial dos porteiros na vida dos idosos em Copacabana.
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José Adriano da Silva, do condomínio Sambaíba, no Leblon

“O essencial num condomínio é a limpeza, a segurança e a boa convivência”,

José Ibiapina me fez ficar cada vez mais atento a uma das atividades primordiais no Rio de Janeiro: o trabalho dos porteiros. Eles são guardiãs da vida de muita gente e poderiam desempenhar uma atividade mais intensiva na política de segurança pública, se os governos, principalmente, as prefeituras, compreendessem a importância social deste trabalho.

Hoje, provocado pela TV Globo, retorno ao tema.

A longevidade foi tema do Globo Repórter na sexta-feira. Um programa importante com indicações para uma vida saudável depois dos sessenta anos de idade.

Mas, o programa chamou a atenção para um detalhe: a importância dos porteiros na vida de um grupo de idosos em Copacabana, que entre os bairros cariocas e cidades do mundo todo, inspirou o médico gerontólogo Alexandre Kalache a criar o modelo de pesquisa que levou à elaboração do Guia da Cidade Amiga dos Idosos, da Organização Mundial da Saúde.

O trabalho essencial dos porteiros foi representado na matéria pelos profissionais, Francisco de Assis Nascimento, o Chicão e Francisco Antônio Pinheiro, o Chiquinho. E, vale reproduzir o que foi dito e apresentado na matéria, num gesto de homenagem a estes profissionais:

Pelo menos no bairro carioca, os melhores amigos, indicados pelos idosos, foram os porteiros.
“Ele que carrega o embrulho, troca a lâmpada para a pessoa não ficar tonta e não cair da escada”
, conta o doutor Alexandre Kalache.

E a dupla formada por Francisco de Assis Nascimento, o Chicão, e Francisco Antônio Pinheiro, o Chiquinho, é só um bom exemplo.
“Ele chega ao ponto de me avisar pelo interfone que está chovendo e pergunta: não vai fechar a janela?”
, diz Emilda Maria Duarte Nunes, de 69 anos.

No dia a dia, os porteiros acabam assumindo, espontaneamente, o papel de guardiões. “Alguns não conseguem caminhar sozinhos. Às vezes, precisamos ajudar, levar alguma coisa até o apartamento para eles”, conta Chicão. “Quando bicho pega mesmo, no caso de uma pessoa passa mal, eu chamo o Chicão para ir até lá”, completa Chiquinho. “Às vezes ajudamos a descer na cadeira de rodas e colocamos no táxi”, conta Francisco Nascimento. “Em um bairro vertical como esse, o porteiro passa a ser uma pessoa absolutamente essencial, porque está ali junto”, afirma Alexandre.

O próximo passo da pesquisa é aperfeiçoar ainda mais a atuação dos porteiros com um curso cheio de dicas importantes. “Eles vão ser os porteiros amigos dos idosos. No final, todo mundo se beneficia. Se a gente eliminar as escadas e colocar mais rampas, mais iluminação, corrimão, todo mundo ganha, porque o cidadão comum está se beneficiando. Mas o ponto de partida é o idoso”, diz Alexandre.

Chicão e Chiquinho já se consideram vitoriosos só pela convivência.
“Faz uma higiene mental estar no meio dessas pessoas conversando, por causa do bom humor delas, das brincadeiras”, revela Chicão.
“No dia a dia com elas, passamos praticamente a sermos uma família”, acredita Chiquinho.