Consciência Negra

Discurso do Deputado Simão Sessim sobre o dia da Consciência Negra,onde presta homenagem ao “Almirante  Negro” João Cândido Felisberto , que protagonizou a “Revolta da Chibata”.

Preservar a memória é uma das formas de construir a história. É pela disputa dessa memória, dessa história, que no próximo sábado, dia 20, o Brasil tem um compromisso muito especial com o Dia da Consciência Negra.

Aliás, Sua Excelência o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente eleita, Dilma Rousseff, já confirmaram presenças ao lado do ilustre Ministro Elói Ferreira de Araújo, da Igualdade Racial, na próxima sexta-feira, na Praça XV, no Rio de Janeiro, onde está sendo comemorada a Semana da Consciência Negra, que contará também com show da velha Guarda da escola de samba Vila Isabel e Martinho da Vila.

Trata-se, na verdade, de uma data que nos leva à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Ela foi escolhida, não por acaso, mas por coincidir com a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, líder da resistência do negro à escravidão de forma geral.

A homenagem a Zumbi, senhor presidente e nobres deputado, é mais do que justa diante do que este personagem histórico representou na luta do negro contra a escravidão, no período do Brasil Colonial, e que por isso mesmo acabou oferecendo a própria vida pela liberdade de seu povo.

É fato incontestável que os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. Por isso mesmo, a data de 20 de novembro deve se constituir em um motivo a mais para que possamos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira.

Hoje os afro-brasileiros representam quase metade da população e sua influência está presente na música, na dança, na língua, na culinária, no nosso folclore. E com tantas contribuições para a cultura do país, certamente os negros passaram a valorizar mais a sua identidade.

Não estaríamos exagerando,  se disséssemos que também ecoa um grito de liberdade nos Quilombos da minha querida e amada Baixada Fluminense, onde ocorreu, da mesma forma, um intenso processo de resistência escrava.

Aliás, senhor presidente, uma dessas resistências também está sendo lembrada, esta semana, na pessoa do ilustre cidadão de São João de Meriti, João Cândido Felisberto, nosso querido e eterno ‘Almirante Negro’. Filho de ex-escravo, rebelde, ele protagonizou, com bravura e determinação, a ‘Revolta da Chibata’ em defesa dos marujos da Marinha de Guerra do Brasil, a maioria deles formada por negros, para protestar, para questionar o conjunto de leis a que estava submetido e que regulamentava a disciplina na corporação, tais como submeter os praças a punições desumanas, a base de chibatadas e outros tipos de castigos cruéis.

Os municípios da Baixada Fluminense, a exemplo de Nilópolis, também promovem durante os próximos dias uma extensa programação para reverenciar seus ancestrais de origem afro-descendente.

Não podemos esquecer,  que no final da década de 70 e meados dos anos 80, vários movimentos culturais, a exemplo da Pastoral do Negro, do Movimento Negro Unificado, do Grupo de Mulheres, Partidos Políticos e demais Pastorais, se manifestaram em busca de uma maior participação na vida política e social da Baixada Fluminense. A Pastoral Afro tinha por objetivo colaborar na construção de uma sociedade mais justa e solidária, criando iniciativas contra o racismo e em defesa dos valores afros-descendentes.

Resta-me, portanto,  dizer que a luta dos negros por condições dignas de existência deve continuar no Brasil por muitos e muitos anos e essa data deve servir também como símbolo para que reflitamos sobre a questão em defesa de todos os brasileiros que lutam por uma sociedade de fato democrática e igualitária

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