A Escola de Samba é também Escola de Cultura

Editor: Jackson Vasconcelos

Nas garimpagens no Museu da Imagem e do Som, pérolas da cultura brasileira são encontradas.

Recebi hoje, do deputado Simão Sessim, indicação de leitura da matéria “Tecnoarqueologia” de Arnaldo Bloch e Chico Otávio, publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo, sobre a digitalização do acervo do Museu da Imagem e do Som, processo que levou à descoberta de diversas latas de filmes com a reprodução de um antigo cinejornal paraguaio, “Noticias Brasileñas”.

Ali estão gravadas imagens do carnaval carioca de 1964, ano em que o Império Serrano desfilou com “Aquarela brasileira” – “samba enredo mais popular de todos os tempos” e o Salgueiro com a história de Chico Rei, “o monarca do Congo”, que depois de escravizado e alforriado na antiga Vila Rica, libertou todos os escravos e construiu uma igreja na cidade. As duas escolas não levaram o título, mas inovaram em estética e temas, antes dedicados exclusivamente à História Oficial.

O trabalho de Arnaldo Bloch e Chico Otávio abriu o Segundo Caderno e ocupou as duas páginas principais deixando mais uma vez registrado o fato de as escolas de samba serem centros de cultura e arte. Vale reproduzir alguns trechos, os mais importantes sobre as escolas:

“Ao saber da descoberta, a vice-presidente e pesquisadora do Império, Rachel Valença, emocionou-se:

-Isso vai revolucionar a pesquisa sobre o samba. Recentemente, passei três dias no Arquivo Nacional e não achei nada.

Passista em 1964 e hoje locutor oficial do Salgueiro, Bira do Erre sempre sonhou com tais imagens e sons para convencer os mais incrédulos de que a sua escola nunca mais superará o “Chico Rei”:

– O Salgueiro botou na rua a expressão cultural do nosso povo. Jamais haverá outro desfile igual.

Simão Sessim tem a sua história política ligada à da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis. Ele lembra que precisou ajudar a escola a sair do velho barracão, no ano da primeira vitória dela na Avenida, com o samba-enredo “Sonhar com o Rei dá Leão”. Mas, isso é história para contar em outra oportunidade.”

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